Segundo parentes, ela com a ajuda namorado chegou ao Rio na quarta-feira e se hospedou em um hotel próximo do Hospital Viteé Cirurgia Plástica e Estética, onde faria o procedimento por indicações de amigos. A pensionista pagou R$ 14 mil reais no pix e mais R$ 2 mil reais em curativos e internação. Segundo a enfermeira Rose Mello, a irmã estava em contato com a clínica há cerca de um mês. E ela vinha juntando o valor utilizado para pagar a cirurgia há tempos, já que o procedimento “era o sonho de sua vida”.
— O namorado dela ficou o tempo todo me dando notícias. Na sexta de manhã, eu falei com ela por telefone. Ela gemia de dor, estava com a pressão caindo e anêmica. Pedi para conversar com o médico e ele disse estar tudo bem. Mais tarde, o quadro dela foi piorando, então pedi para o meu filho me levar para o Rio. Quando cheguei lá não era um hospital, era uma casa, tudo muito bagunçado e nem UTI. Entrei no quarto e vi que minha irmã estava quase morrendo — afirmou Rose.
De acordo com os relatos, Lindama estava perdendo muito sangue e com a saturação baixa. Ainda segundo a enfermeira, o médico responsável pela cirurgia Heriberto Ivan Arias Camach chegou a pedir um exame de sangue que ficou pronto horas depois. A irmã da vítima, acusa o médico e a clínica de negligência e questiona a demora no atendimento.
— O exame de sangue chegou com o nome dela errado, sem data e hora. Não dá para saber se ele foi realmente feito ou apenas preenchido. Eles montaram uma clínica na casa. A sala é a recepção e os quartos eram os leitos. Perguntei porque minha irmã não estava no CTI. No site dizia ter CTI e atendimento 24 horas. Não foi o que vi lá. Não pediram para gente colocar máscara e todo mundo estava entrando. Era uma bagunça. Por que ele não socorreu ela desde as nove horas da manhã, quando ela começou a passar mal? — questiona Rose.
No site do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio, o registro dele está “ativo". Rose afirma que a irmã, com a piora do quadro clínico, precisou ser transferida às pressas para o Hospital Semiu, na Vila da Penha, Zona Norte, por indicação de Airas. Lindama teria tido uma parada cardíaca no trajeto e já chegou sem vida na unidade.
— O próprio médico solicitou essa vaga na Penha. Ele falou que foi o único lugar que tinha uma vaga, mas a descobrimos que ele também trabalha neste hospital — pontuou Rose.
O atestado de óbito mostra que a vítima morreu devido a uma perfuração do intestino e hemorragia. O caso foi registrado na 27ª DP (Vicente de Carvalho) e será encaminhado para a 16ª DP (Barra da Tijuca), que dará continuidade às investigações. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.
De acordo com familiares, o médico e funcionários da clínica ainda não foram ouvidos. Além disso, o namorado que esteve presente durante todo o procedimento e a irmã que acompanhou a transferência, também não.
— Eu espero que ele seja preso antes que fuja do país. Ele não é brasileiro e se a polícia demorar para agir ele pode dar um jeito de ir embora e não pagar. Está claro que minha irmã foi vítima de negligência. Espero que os envolvidos paguem por isso — desabafou Rose.
O GLOBO não conseguiu contato com a defesa do médico até o final desta reportagem.
Jéssica Marques/Yahoo Notícias
